(Archivoz) Primeiramente gostaria de agradecer-te por ter aceitado nosso convite. Segundamente, gostaria de saber quem é a Arquivista Juliana? Como surgiu seu interesse em estudar Arquivologia? Onde você se formou? Como foi seu percurso de formação?

(JH) Como Arquivista, uma área que me desperta bastante interesse é sobre os sistemas que auxiliam na disponibilização e na recuperação da informação e dos documentos.

Meu primeiro contato com a Arquivologia foi em meu primeiro emprego, em 2012, como Auxiliar de Arquivo no Arquivo Judiciário da Justiça Federal. Na época, já aguardava a divulgação da nota do Enem, que havia feito no ano anterior, para escolher o curso de graduação que iria ingressar.

Como estava em dúvidas sobre em qual curso ingressar, pois já trabalhava e tinha em mente escolher um curso no qual pudesse me dedicar, e que não fosse necessário deixar de trabalhar – nem por conta do horário ou da distância -, conversei com meu primo Diogo, na época também universitário, e que estava cursando Arquivologia, na Unirio.

Através da busca por informações sobre o curso, somado à conversa com Diogo e pelo fato de eu já estar a trabalhar na área, decidi me matricular também no curso de Arquivologia, que iniciei em 2012, na Unirio. Conclui o curso em 2019, pois próximo ao final do curso precisei trancá-lo por alguns períodos, por conta do trabalho.

(Archivoz) Sabendo da importância da Educação continuada, tem alguma leitura que você recomenda? Ou práticas para renovar novos saberes?

(JH) Atualmente, tenho lido a literatura de Arquivologia voltada para concursos. O título que recomendo e estou lendo no momento é “Arquivo: Teoria e Prática”, de Marilena Leite Paes.

(Archivoz) Como você vê a formação atual em Arquivologia no Brasil? Você passou por alguma dificuldade trabalhando e cogitou que a formação acadêmica poderia ter preenchido aquela falta?

(JH) Apesar de estar fora do ambiente de formação desde quando terminei a graduação, já à época em que estava concluindo o curso pude perceber que cada vez mais já havia uma integração maior com temas da Arquivologia relacionadas à tecnologia.

A dificuldade que encontrei foi quando estava próximo de encerrar o curso, fazendo a transição de estagiária para uma possível vaga de emprego. Na época, percebi que havia uma escassez de vagas para a área de Arquivologia no mercado de trabalho. E também percebi uma dificuldade de ser contratada por conta de na maioria das empresas em que atuei ter sido em cargo de estagiária, o que para algumas empresas não conta efetivamente como experiência no currículo.

(Archivoz) Que balanço você faz do Mercado de trabalho? Te parece favorável ao Arquivista?

(JH) No mercado de trabalho atual, vejo que há poucas vagas de Arquivista. E infelizmente, ainda nos deparamos com obstáculos como vagas para Arquivista sendo ofertada sem a exigência do nível superior (sendo exigido apenas o ensino médio, por exemplo) e bem abaixo do piso salarial que deveria ser pago para o profissional.

(Archivoz) Para finalizar fazendo um balanço da nova realidade, com a pandemia do novo COVID19, pensa que os arquivos foram capazes de se reinventar?

(JH) Com a pandemia do novo coronavírus, acredito que os arquivos que já vinham caminhando ao lado dos novos recursos tecnológicos, essa relação tenha se estreitando mais, e beneficiado cada vez mais os arquivos. Com muitos dos serviços, tanto públicos quanto privados, fechados por conta da pandemia, a tecnologia se faz aliada nesse momento para atender às demandas relacionadas aos arquivos.

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